As novas tecnologias na educação e seu impacto na construção do sujeito

As novas tecnologias na educação e seu impacto na construção do sujeito

Vejo algumas promessas de que o ensino com ferramentas tecnológicas irá acelerar a aprendizagem. Isso me faz pensar na própria ideologia do aceleracionismo, não apenas no plano educacional, mas também em sua concepção ideológica e filosófica. Ainda precisamos estudar melhor esse fenômeno social e, de algum modo, refletir sobre as questões humanistas e o impacto do aceleracionismo sobre elas.

Como leitor e projeto de educador, tenho uma certa dose de cautela em relação ao tema.

Há um verdadeiro frenesi em torno das novas tecnologias aplicadas à educação, e o ensino de Letras também está imerso nesse entusiasmo por ferramentas que prometem facilitar o processo de ensino-aprendizagem.

No entanto, guiado pela prudência e por minha formação de base humanista, percebo que, independentemente das ferramentas utilizadas pelos professores, estes não podem perder sua autonomia nem sua responsabilidade diante da aula e dos alunos. Certos aplicativos — especialmente os que envolvem jogos — podem acabar promovendo uma memorização superficial, em que os alunos acertam por tentativa e erro, sem, de fato, compreenderem o conteúdo.

Não podemos delegar às tecnologias ou às inteligências artificiais a definição dos métodos pedagógicos a serem seguidos.

É claro que, durante a pandemia, testemunhamos a expansão das modalidades de ensino remoto, com videochamadas que, a meu ver, solucionaram de forma razoável o desafio da educação não presencial. Plataformas como o Moodle, por exemplo, contribui para o ensino de maneira satisfatória.

Esses métodos de interação entre professores e alunos são bem-vindos e devem, sim, fazer parte do cotidiano dos docentes que estão por vir — desde que sempre mediados por um olhar crítico e consciente sobre sua aplicação.