Albert Ellis não foi apenas um teórico brilhante; viveu intensamente o que pregava. Antes de formular sobre a autoaceitação incondicional, que está inserida no contexto da Terapia Racional-Emotiva Comportamental (TREC), também criada por ele, percorreu um longo caminho entre sofrimento pessoal, pesquisa filosófica e insatisfação com as limitações da psicanálise tradicional.
Meu primeiro contato com seu trabalho foi pelo livro Como Conquistar Sua Própria Felicidade. Sim, o título remete a ser um livro de autoajuda, e isso foi intencional, pois Ellis realmente queria que seus livros estivessem em disputa mercadológica com tal estilo literário. Ellis era um crítico fervoroso dos gurus da Nova Era de sua época e dos autores que faziam apologia ao “pensamento positivo”, e encontrou essa forma de confrontá-los, se camuflando nas prateleiras como um espião.
A definição que tenho da autoaceitação incondicional tem similaridade com o que certa vez um amigo, que é frequentador de uma igreja protestante tradicional, a Igreja Batista, me disse: “Devemos odiar o pecado e amar o pecador.” Ellis sugeriu que nos distanciássemos dos pensamentos como se fossem algo imutável em nós. Nós não somos o que pensamos. Isso, inclusive, é bem talhado nas filosofias e religiões orientais, como o budismo.
Albert Ellis nos convida a uma revolução silenciosa: trocar a autocrítica pelo autoconhecimento, a culpa pela responsabilidade, o julgamento pela compreensão.
Aceitar-se não é um luxo psicológico — é um ato de coragem e maturidade.
Como ele mesmo escreveu:
“Você é um ser humano falível, e sempre será. Mas isso não é uma tragédia — é a sua condição natural.”
Da experiência clínica veio a constatação empírica: quem se aceita, muda com mais facilidade.
Quem se odeia, paralisa.
Para saber mais:
ELLIS, Albert. Como Conquistar Sua Própria Felicidade. São Paulo: Cultrix, 1981.





